ESMERALDO E O GARÇOM
Esmeraldo servia um bife acebolado, enquanto outro cliente fazia insistentes sinais chamando-o. Ele, fingindo não perceber para não interferir no seu trabalho, atendeu com presteza e só então deslocou a sua visão à outra mesa. (Aí que descobri que quando chamamos um garção e parece que ele não vê, às vezes está vendo e finge que não vê). Acostumado com os tipos e pela cara sentiu que era reclamação, e era mesmo. O sujeito, irritado, sentia-se indignado com a refeição. O macarrão estava grudado e o molho salgado.
Esmeraldo, educadamente, perguntou:
- Como é o seu nome, senhor?
O cliente mais irritado ainda respondeu:
- Jonas.
- Pois é senhor Jonas, vou lhe explicar como funcionam as coisas -, disse-lhe Esmeraldo. - A minha função aqui, é a logística. Ou seja, coleto os pedidos do cliente, passo para a copa, que manda para a cozinha. Daí para a frente não interfiro em nada, até que eu ouça dois toques da sineta, o sinal de que o meu pedido está à disposição. Então apanho a mercadoria, vejo se está bem separada, cada qual em sua bandeja e faço a distribuição para os clientes. Quanto a verificar se os produtos estão perfeitos, se a qualidade é boa, foge ao meu alcance e se o fizesse, estaria me intrometendo no trabalho de outro setor, com o que o senhor há de concordar, seria antiético.
Agora, é responsabilidade minha e o senhor pode me chamar a atenção que eu vou abaixar a cabeça, se ocorreu alguma coisa que me diz respeito como: Seu pedido veio trocado? Sua cerveja chegou quente? O refrigerante diet da sua esposa e as cocas normais dos seus filhos não vieram certinhos, como pedidos? Sua comida veio misturada, decorrente do transporte da copa até a sua mesa? Deixei cair um copo ou derramei molho na mesa ou em algum dos senhores?
O senhor pode não ter percebido, senhor Jonas, mas a sineta tocou e eu já corri para trazer sua refeição. Se houve demora, foi lá para dentro, mas não no serviço de distribuição. Agora, se o senhor quer fazer reclamação do serviço da produção, posso chamar o cozinheiro ou então o senhor Manoel, que é o dono, portanto, é quem tem que ouvir essas reclamações, não eu. Aliás, aqui pra nós, acho que o senhor tem que reclamar com ele sim, porque esse cozinheiro é muito folgado e anda fazendo as coisas de qualquer jeito. É a segunda reclamação injusta que recebo hoje. Que culpa tenho eu, senhor Jonas, que estou aqui do lado de fora, nem sabendo do que está acontecendo lá por dentro e alguns clientes sem atentar para isto, me chacoalham? O senhor, sinceramente, não acha que é injusto seu Jonas? Vou chamar o seu Manoel, o senhor reclama do macarrão, do molho e, não diga que falei nada, mas pode reclamar que a carne está dura, porque sei que está, pois, uns dois clientes já reclamaram. Lá está o seu Manoel. Seu Manoel! Seu Manoel , faz o favor!
Enquanto o Sr. Manoel se aproximava, Esmeraldo cochichou para o cliente:
- O senhor pode reclamar do que quiser seu Jonas, mas não da comida fria, porque se esfriou, foi por culpa sua que iniciou a conversa, deixando-a esfriar.
Jonas, mulher e filhos boquiabertos olhavam para o Esmeraldo e o Sr. Manoel, que todo solícito dizia um "pois não", bem macio.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
CECILIA MEIRELES
SONETO ANTIGO
Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Cecília Meireles
Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Cecília Meireles
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Almas Perfumadas de Ana Jacomo
Almas Perfumadas de Ana Jacomo
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta, de sol quando acorda, de flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete, melando os dedos com algodão doce da …cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo, sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal, do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel. Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria, recebendo um buquê de carinhos, abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa, do brinquedo que a gente não largava, do acalanto que o silêncio canta, de passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado. E a gente ri grande que nem menino arteiro. Tem gente como você, que nem percebe como tem a alma perfumada e que esse perfume é dom de Deus
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta, de sol quando acorda, de flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete, melando os dedos com algodão doce da …cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo, sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal, do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel. Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria, recebendo um buquê de carinhos, abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa, do brinquedo que a gente não largava, do acalanto que o silêncio canta, de passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado. E a gente ri grande que nem menino arteiro. Tem gente como você, que nem percebe como tem a alma perfumada e que esse perfume é dom de Deus
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
VERSOS DE OURO DOS PITAGORICOS
01. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.
02. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.
03. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.
04. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.
05. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.
06. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.
07. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.
08. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro.
09. Porque o poder é limitado pela necessidade.
10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.
11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.
12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.
13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos.
17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.
19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.
21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.
24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.
26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,
27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.
28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas.
29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.
30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.
32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.
33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo.
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.
36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.
37. Evita todas as coisas que causarão inveja.
38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.
39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.
40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.
41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,
42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.
43. Pergunta: "Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?"
44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.
45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração.
46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.
47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.
48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.
49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.
50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,
51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,
52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.
53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.
54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.
55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.
57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.
58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.
59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,
60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.
61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!
62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.
63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.
64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.
65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.
66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.
67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.
68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.
69. Avalia bem todas as coisas,
70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter.
72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.
02. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.
03. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.
04. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.
05. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.
06. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.
07. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.
08. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro.
09. Porque o poder é limitado pela necessidade.
10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.
11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.
12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.
13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos.
17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.
19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.
21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.
24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.
26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,
27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.
28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas.
29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.
30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.
32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.
33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo.
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.
36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.
37. Evita todas as coisas que causarão inveja.
38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.
39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.
40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.
41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,
42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.
43. Pergunta: "Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?"
44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.
45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração.
46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.
47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.
48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.
49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.
50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,
51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,
52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.
53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.
54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.
55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.
57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.
58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.
59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,
60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.
61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!
62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.
63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.
64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.
65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.
66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.
67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.
68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.
69. Avalia bem todas as coisas,
70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter.
72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O conserto do Muro
Há alguma coisa que não gosta de muro .
Que incha o cão gelado por baixo dele.
E derruba ao sol as pedras lá do alto:
E faz brechas onde até dois podem passar juntos.
O que os caçadores fazem já é uma outra coisa :
Eu vim atrás deles e consertei
Onde não haviam deixado pedra sobre pedra.
Mas queiram forçar o coelho para fora da toca
Para agradar aos cães barulhentos. As brechas de que falo.
Ninguém viu, ninguem ouviu faze-las.
Mas na primavera, nos consertos, nós as encontramos lá.
Aviso ao meu amigo lá atrás da colina;
E um dia nos encontramos para verificar
E reparar o muro entre nós mais uma vez .
Mantemos o muro entre nós enquanto vamos.
Cada um recoloca os blocos que caíram do seu lado.
Os pedaços são diversos , uns quase como bolas
Temos que usar de mágica para que fiquem certos :
“ Fiquem onde estão ate´virarmos as costas!”
Nossos dedos ficam ásperos de trabalhar com elas,
Oh! Apenas outra espécie de jogo ao ar livre
Um de cada lado. Ou pouca coisa mais :
La onde esta não precisamos de muro:
Do seu lado é tudo pinheiro . Do meu pomar de maça.
Minhas macieiras nunca passaram o muro
Para comer as pinhas dos pinheiros, digo-lhe eu ,
Ele apenas responde, “ Boas cercas fazem bons vizinhos”
A primavera torna-me implicante , e lhe pergunto
Se poderia brincar com ele um pouco:
“ Porque fazem bons vizinhos? Não é só
Onde há vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro queria saber
Contra quem ou contra o que eu o construo,
E a quem com isso eu iria ofender.
Há alguma coisa que não gosta de muro,
Quer vê-lo por terra. Podia dizer duendes. Gostaria
Que ele mesmo o dissesse. Eu o vejo lá
Trazendo firmemente segura uma pedra
Em cada mão , armado como um selvagem das cavernas .
Ele vai, parece-me , andando nas trevas
Que não são todas de bosques ,nem de sombras
E não seguirá o que seu pai dizia
E muito contente por ter pensado nisso
Repete: “ Boas cercas fazem bons vizinhos”
ROBERT FROST (poeta ingles)
Que incha o cão gelado por baixo dele.
E derruba ao sol as pedras lá do alto:
E faz brechas onde até dois podem passar juntos.
O que os caçadores fazem já é uma outra coisa :
Eu vim atrás deles e consertei
Onde não haviam deixado pedra sobre pedra.
Mas queiram forçar o coelho para fora da toca
Para agradar aos cães barulhentos. As brechas de que falo.
Ninguém viu, ninguem ouviu faze-las.
Mas na primavera, nos consertos, nós as encontramos lá.
Aviso ao meu amigo lá atrás da colina;
E um dia nos encontramos para verificar
E reparar o muro entre nós mais uma vez .
Mantemos o muro entre nós enquanto vamos.
Cada um recoloca os blocos que caíram do seu lado.
Os pedaços são diversos , uns quase como bolas
Temos que usar de mágica para que fiquem certos :
“ Fiquem onde estão ate´virarmos as costas!”
Nossos dedos ficam ásperos de trabalhar com elas,
Oh! Apenas outra espécie de jogo ao ar livre
Um de cada lado. Ou pouca coisa mais :
La onde esta não precisamos de muro:
Do seu lado é tudo pinheiro . Do meu pomar de maça.
Minhas macieiras nunca passaram o muro
Para comer as pinhas dos pinheiros, digo-lhe eu ,
Ele apenas responde, “ Boas cercas fazem bons vizinhos”
A primavera torna-me implicante , e lhe pergunto
Se poderia brincar com ele um pouco:
“ Porque fazem bons vizinhos? Não é só
Onde há vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro queria saber
Contra quem ou contra o que eu o construo,
E a quem com isso eu iria ofender.
Há alguma coisa que não gosta de muro,
Quer vê-lo por terra. Podia dizer duendes. Gostaria
Que ele mesmo o dissesse. Eu o vejo lá
Trazendo firmemente segura uma pedra
Em cada mão , armado como um selvagem das cavernas .
Ele vai, parece-me , andando nas trevas
Que não são todas de bosques ,nem de sombras
E não seguirá o que seu pai dizia
E muito contente por ter pensado nisso
Repete: “ Boas cercas fazem bons vizinhos”
ROBERT FROST (poeta ingles)
domingo, 12 de junho de 2011
NO FIM DÁ CERTO
Ainda bem que não se fala na malfadada "" Lei de Murphy e outros motivos porque tudo dá errado?...É uma lei segundo o qual , por exemplo,seja qual for a fila em que voce estiver , outra sempre andará masi rapido; todo arame cortado no tamanho indicado é será sempre curto demais , todo telefonema importante vem no momento exato( ou pior, um minuto depois) em que o interessado se sentou no vaso sanitario...
... Pois me disponho a enfrenta-los, lançando mão os Fundamento da lei anti-Murphy, cujo os corolarios serão por mim oportunamente enunciados.Por ora me limito a colher inspiraçao em fonte mais que judiciosa , qual seja a que emanava da sabedoria de meu pai , cujos oito baixos sempre respeitei.São os pricipios da Lei de Seu Domingos que não me canso de enaltecer(Como dizia meu pai "" A volta por cima"') e que aqui enumero , resumidos .
1-As coisas são como são e não como deveriam ser-e muito menos como gostariamos que elas fossem.
2-O que tem soluçao, solucionado está -não adianta gastar boa vela com mal defunto.
3-Se quiser que alguma coisa mude , e não puder fazer nada ,espere ,que ela mudará por si só.
4-Toda mudança é para melhor,se mudou é porque não deu certo.
5-Mais vale passar por um apertinho agora que por um apertão o resto da vida .
6-Antes de entrar veja por onde vai sair.
7-Faça somente o que gosta. Para isso passe a gostar do que faz.
8-Trate os outros como gostaria de ser tratado.
9-Não se deve aumentar a aflição dos aflitos.
10-A unica maneira de resolver um problema nosso e´resolver primeiro o dos outros.
Os dois ultimos principais decorrem daquela sábia observaçao de Carlos Drummond ,no filmeque fiz sobre ele, e que até parece inspirado por meu pai : NÃO EXIGIR DAS PESSOAS MAIS DO QUE ELAS PODEM DAR. Eu acrescentaria o que resolvi assumir a partir de hoje: Todo mundo tem seu lado bom , ainda que pequeninho;descobrir o de cada um com quem temos de conciver e não sair dali.
Seu Domingos jamais se deixaria levar por esse Murphyymo nefando que tanto se impos em nossos dias .Sem saber a formula capaz de extermina-lo, quand dizia de maneira onderada e categorica, ensinado-me a ter paciencia:
__ Meu filho, TUDO NESTE MUNDO NO FINAL SEMPRE DÁ CERTO.Se não deu certo e´porque ainda não chegou o fim..
Fernando Sabino( extarido do meu caderno de memorias do colegial)
Fernando Sabino( extarido do meu caderno de memorias do colegial)
CONOSCO NINGUEM PODEMOS
Isso quanto a prosodia.Quanto a sintaxe, a coisa é mais grave.Quando o critico mostrou o originald eum artigo que escrevera sobre o poeta, logo à primeira frase vários prostetaram: havia ali um erro de concordancia
--Erro de concordancia? estranhou o autordio artigo, e experimentouem voz alta a frasecontestando" Não se trata de um dos que abandonaram a poesia..."
--Abandonarão!! os outros corrigiram
O critico se melindrou:
--Queu abandonaram coisa nenhuma !Sou lá algum idiota?
--Idiotismo sintatico-diagnosticou um.
--Solecismo, e dos bons- emendou outro.
Irritado,o critico afirmou que a frase comportava uma elipse:
--Não é um --que abandonará a poesia--entre o que abandonarão.
--Isso não é uma elipse, é um eclipse.Do pensamento.
--Um anacoluto?Arriscou alguem.
Dividiram-se as opinioes, ninguem se entendia.Em vão o critico tentava mostrar o resto do artigo ao poeta ., presente a roda.O do anacoluto era teimoso , queria discutir. O critico o fez calar-se.
[...]O poeta até ali silencios por natural modestia propos abandonar a poesia, para resolver o impasse .Alguem mais sugeriu que se acrescentasse o nome do outro poeta,levando assim o verbo no plural. O autor do artigo irredutivel:
--Um dos que abandonará--berrava.
Antes que partisse para os sopapos , marchava disposto a tudo para uma livraria ,onde finalmente esclaresceram a duvida . Um livro sobre questões de linguagem afirmava:"'A expressão um dos que leva indiferentemente o verbo ao singular ou ao plural"'.
--Estão vendo ? saltou o critico , triunfante.Eu estava certo.
--Eu tambem estav -tornou um dos paladinos do plural.Olha o que diz aqui: Indiferentemente.
--Eu naõ dizia?Um anacoluto, minha gente .Um dos que defendiam -ou defendia- a concordancia no singular encerrou a questão , vitorioso , voltando-se para o critico :
--É isso mesmo !! Conosco ninguém podemos!!
Fernando Sabino( diretamente do caderno de memórias do segundo colegial)
--Erro de concordancia? estranhou o autordio artigo, e experimentouem voz alta a frasecontestando" Não se trata de um dos que abandonaram a poesia..."
--Abandonarão!! os outros corrigiram
O critico se melindrou:
--Queu abandonaram coisa nenhuma !Sou lá algum idiota?
--Idiotismo sintatico-diagnosticou um.
--Solecismo, e dos bons- emendou outro.
Irritado,o critico afirmou que a frase comportava uma elipse:
--Não é um --que abandonará a poesia--entre o que abandonarão.
--Isso não é uma elipse, é um eclipse.Do pensamento.
--Um anacoluto?Arriscou alguem.
Dividiram-se as opinioes, ninguem se entendia.Em vão o critico tentava mostrar o resto do artigo ao poeta ., presente a roda.O do anacoluto era teimoso , queria discutir. O critico o fez calar-se.
[...]O poeta até ali silencios por natural modestia propos abandonar a poesia, para resolver o impasse .Alguem mais sugeriu que se acrescentasse o nome do outro poeta,levando assim o verbo no plural. O autor do artigo irredutivel:
--Um dos que abandonará--berrava.
Antes que partisse para os sopapos , marchava disposto a tudo para uma livraria ,onde finalmente esclaresceram a duvida . Um livro sobre questões de linguagem afirmava:"'A expressão um dos que leva indiferentemente o verbo ao singular ou ao plural"'.
--Estão vendo ? saltou o critico , triunfante.Eu estava certo.
--Eu tambem estav -tornou um dos paladinos do plural.Olha o que diz aqui: Indiferentemente.
--Eu naõ dizia?Um anacoluto, minha gente .Um dos que defendiam -ou defendia- a concordancia no singular encerrou a questão , vitorioso , voltando-se para o critico :
--É isso mesmo !! Conosco ninguém podemos!!
Fernando Sabino( diretamente do caderno de memórias do segundo colegial)
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